sexta-feira, 22 de julho de 2011

Felizes para sempre...



No fundo, no fundo, acho que até mesmo os mais tradicionais abandonariam a ideia de final feliz ciderelesco por uma paixão avassaladora. Como é tentadora a ideia da vontade desenfreada, do arrepio frio da espinha (mesmo nos dias mais quentes), da saudade dolorosa seguida do encontro demorado, do telefonema interminável na madrugada tão curta, do contar das horas que mais parecem dias, daquele “se alimentar” com a presença do outro.
            Não que isso baste. Não basta! O final feliz é necessário, mas o amor reinventado todos os dias, é mais ainda! Relacionamentos mornos, quase sempre estão frios demais pra qualquer paladar! Por favor, mettrie, nada de mais ou menos quando se trata de amor! Muito tempero e muito sabor são necessários para esse prato, senão azeda, ou pior, fica sem gosto algum e você continua ali, enganando a si próprio, fingindo que gosta daquilo. Assim, vai vendo a vida passar, sem se permitir provar outras paixões, sem buscar ser feliz de outra forma, sem reviver o quanto é bom fazer o outro se sentir o mais feliz entre todos no mundo.
            Se reinventar o amor é difícil, encontrar quem mereça e queira ser amado por você e a você amar é mais ainda. Pois difícil mesmo é encontrar a sintonia entre os gostos! Difícil mesmo é encontrar alguém que quando te olha, sente como se todo o mundo pudesse ficar despovoado. Difícil mesmo é acertar o pedido, é acertar o olhar, é acertar o encaixe. E nessas dificuldades, a gente acaba errando sucessivamente e errar no amor dói, causa náuseas, insônias, depressão. Machuca e cicatriza horrorosamente. Mas depois, quando a escolha certeira acontece, o sabor é singular.
            Que eu erre muitas e muitas vezes, mas que quando acerte, não me iluda com o felizes para sempre, pois este acomoda, amorna e rouba das pessoas o desejo de querer a cada dia um pouco mais de alegria. Que eu ame por hoje, pelo agora... e que assim os anos passem... e que assim passem os anos... e que assim eu construa o meu para sempre, dia a dia, com fome de vida, com fome de amor bem temperado, com fome do mesmo homem todos os dias... até que a morte nos separe!    


Dois...


E quando a gente acorda apaixonada pelo impossível? Com aquela sensação adolescente, apesar de seu RG te provar que você já tem mais de 30, você se pega sem conseguir dormir, lembrando de detalhes do que aconteceu, de cada palavra bem ou mal colocada, de cada sorriso beijado, de cada abraço sentido...  e planeja! Planeja os próximos beijos, as próximas frases (ou a ausência delas), os próximos olhares, o próximo cheiro, o próximo gosto, o próximo toque... E quando a manhã descortina o dia, você levanta e vai para a vida com a bolsa cheia de novos sonhos e com um sol estampado na cara, iluminando o mundo...
Dois, três, quatro dias depois, você saca! Aqueles dois que há pouco eram quase que apenas um, agora são, definitivamente, DOIS... um de cada lado, um em cada direção... por mais que você espere, ele não vai ligar... por mais que você deseje, ele não vai lembrar... por mais que você sinta, ele não vai sentir...
E agora, como agir de forma inteligente? Insistir adiantaria?
Muito provavelmente, não! Paixão é uma coisa estranha... acho que sempre soube se amaria uma pessoa nos primeiros momentos em que estive com ela... Ali, nos instantes iniciais da cumplicidade, você já sabe se aquela pessoa vai te consumir o juízo, te roubar o sono e te encantar a alma...
Sempre tento pensar assim: leva contigo isso pra vida, mas de maneira leve, como algo gostoso que veio e se foi... Não tente, nunca, obrigar a outra pessoa a te amar. Acredite, você só gastaria forças, tempo e criatividade... Armazene esses esforços e gaste-os sendo feliz com uma pessoa que realmente queira estar com você, ou então gaste sozinha, com amigos, com seus cachorros que seja... Certeza: é melhor, bem melhor, estar com gente que sorri de verdade quando te olha nos olhos...  
Outros amores virão... por sorte, eles sempre vêm!